terça-feira, 24 de março de 2009

Lembrei agora de como tudo era...
Mamãe sempre me deixava na sua casa quando o prédio ia pintar, ou até mesmo pra trabalhar e ir pra faculdade, então a maioria dos dias eu estava lá no seu condomínio. Era bom, porque você sempre foi o mais presente de todos, me olhava e me mimava como ninguém, e sempre perguntava: 'Quem é a minha neta preferida?', eu me gabava toda para gritar que era eu, e eu mais uma vez... não me cansava. Se eu pudesse, pararia meu mundo ali, no seu sorriso bobo ao ver minha alegria de ser mimada. Ainda sinto a quentura do seu abraço em mim, e então me lembro que era o abraço que eu mais gostava, e desde nenem não suportava outro colo masculino, só o seu. Ainda me lembro dos seus ciúmes, e de quando eu acordava e você já tinha feito tudo, acordado cedo, caminhado e feito a mesa de café da manhã pra vovó, e gritando 'BON DIORNO PRINCIPESAS (?)'. O tipo de homem, de pai, de avô e de amigo mais perfeito que existiu.
Lembro agora da sua mania de fazer compras, vovó ficava realmente brava, porque ela sempre amou fazer compras e você acabava saindo pra ir pro carrefour e ir antes dela, comprava as azeitonas sem caroço que eu tanto amava e escondia de mim. E as moquecas na sua casa? E o natal? Era o unico lugar que eu ia e tinha árvore de natal, mas eu odiava. Só era bom de estar com você, teu sorriso tirando toda a amargura existente.
Gostava também de contar meu dia pra você, e desde que se foi... bom, eu tenho dificuldade pra entrar em detalhes no meu dia, até para a mamãe, nem consigo dizer o que teve na escola. Saudades de deitar na sua cama tão boa, na verdade... pular nela, admito, e não tirar o pijama levando um grande esporro, e de contar tudo o que aconteceu, ou ia acontecer... Das lutinhas com a analissa e de ver você nervoso.
Senti tanta falta de poder beijar a sua mão, e de você brigando com todo mundo para seguir meu exemplo haha, como você me babava. Saudade de ouvir diskman (?) e o cd que você tanto amava, não temas, só esperando você sair dali. Saudades da esperança de que você ficasse bom, e do violão que você nunca deixava... Dos elogios das minhas tentativas de preparar um purê de batata (desde que voce se foi, nem tentei mais, cadê o ânimo?)... do bolo alemão e das pizzas de lombo e frango com catupiry num aniversário meu, por aí.
E você nem vai estar aqui quando eu fizer os meus dezoito, e nem quando fizer os vinte, nem os trinta e nem os setenta, você não vai estar aqui quando eu tiver filhos, netos, e nem quando eu morrer. Você não vai voltar nunca, e isso está me devorando, não consigo evitar.
Me perdoe, mas ainda te amo tanto, tanto. Não posso te tirar de dentro de mim, não posso permitir isso.

Um comentário:

  1. o minha pequena... que dor ler isso tudo, e ao mesmo tempo, tão doce o modo como se lembra de cada detalhe...

    não dá pra entender o por quê dessa partida tão dolorosa! não dá pra entender porque as pessoas que a gente ama tanto se vão assim de uma hora pra outra. e a saudade é tão grande, todos os dias, as lembranças nos fazem sorrir e ao mesmo tempo chorar!
    ele nunca vai sair de dentro de você, nem tente fazer isso... ele é precioso para o Senhor, assim como é pra você. não o deixe morrer dentro de ti. lembre-se assim, dos detalhes, do carinho que é e sempre será único.
    seu avô te amou, te ama... e agora você sabe onde ele está e sabe que um dia vai encontrá-lo!
    permita a saudade, permita o choro, mas não permita tanta tristeza...
    quero te ver bem minha menina com uma flor...

    achei esse um dos seus melhores textos...
    amo muito você.

    ResponderExcluir