terça-feira, 21 de abril de 2009

misturas


Uma decisão repentina, saí então as pressas com a papete roxa e o vestido, só um casaco tentava me aquecer do imenso frio lá fora. Peguei a sacola e fui em sua direção, deve ter sido um sonho, uma perseguição, meus pés ainda congelavam e não sabia se era de frio realmente ou nervoso e medo, sabia que você não iria ao meu encontro nem se eu me humilhasse, e você ainda me destroça com a indiferença que existe dentro de si mesmo. Me dói tentar, e falhar.
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Tudo bem, eu tive um sonho, isso realmente foi sonho, e eu ia te ver e te abraçar, te sentir perto de mim, e o teu sorriso foi real como um pássaro desengonçado, podendo me ver do alto, mas ainda sim, sem jeito e forma de dizer o quanto sente muito... ainda sim, um pássaro distante de mim, livre e talvez imune aos meus gritos e toques imaginários, loucos e suspiros retardados pela saudade e intensidade. Mas com o teu lindo sorriso, com a linda noite das lembranças, eu tento te alcançar por mais de um segundo, tento me sincronizar com todas as adaptações que gostaria de fazer, mas eu não tenho tanto controle assim sobre o que se passa dentro de mim, e em você então, nem sei o que dizer.
O amor ainda me faz permanecer aqui, a espera tardia de uma tarde feliz ao teu lado, de um abraço sufocado, de um selinho bonitinho, de mãos dadas e o mundo parado em nossa volta, porque só nós dois podemos fazê-lo girar quando estamos separados, o giro desse universo louco é o que nos traz de volta ao mesmo ponto, e quando volto nessa situação me dá vontade de parar, de parar, de parar... não prosseguir, e deitar e dormir com o teu olhar fixado no meu dentro de minhas memórias ingênuas e tardias. O amor ainda me faz andar, ele me faz mover, ficar, esperar, cansar, voltar, me faz agir e me faz não fazer nada, ele é meu motivo de loucuras absolutas, de atitudes incompreensivas até quando os meus olhos se tornam sãos, com você eles são loucos, cegos, não existe mais nada e ninguém, além de você, além de nós, além do pássaro ao alto, voando e voando, e eu tento correr, eu tento pular, eu tento chamar tua atenção e você nem sequer se vira para me notar.
É o amor, O culpado pela minha embriaguez constante...
Pois então, faça-me o favor de permanecer distante.

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