
Eu consegui deitar, tão tarde que nem podia imaginar, e eu deitei, eu chorei, como uma criança que pede colo e arrego, que pede socorro e um abrigo seguro, como alguém que se sente só e tem medo do escuro, que quer deitar ao lado de um ser amigável e confiável.
Pensei nos rumos que tomei, nas decisões, nas precipitações e até mesmo no que mais fincava em meu peito, e amortecia cada parte do meu corpo, aquilo que me proporcionava um líquido gelado proveniente dos olhos inchados... pensei nas palavras dele, na voz dele, nos olhares dele, nas milhões de tentações, pensei até mesmo nos sorrisos diferentes que ele tinha - antes então nem reparados, mas agora tão almejados -. Queria poder mudar isso, queria talvez não tê-lo conhecido, teria sido melhor a amargura rotineira que eu já tinha me acostumado, do que um gosto suave de sentimentos tão rapidamente sendo colocado em minha vida, e tirado com uma facilidade ríspida e deixar meus dias tão insípidos.
Como pôde suportar ver a minha dor? E mais ainda, como pôde sorrir e fingir que está tudo bem? E mais, ainda pedir perdão e continuar com essa invasão dentro de meu coração? É como se você tivesse exatamente tudo que me atrai, como se fosse meu ponto de partida e meu ponto de chegada, e mesmo com todas as palavras indelicadas, aqui estou eu, ainda pensando e sofrendo pela mesma situação intransigente - pequena, mas ainda sim, intransigente -. Mesmo com esse mundo louco, um ser humano sempre acima do outro, talvez eu nunca esteja acima de você, você me atrai, me distrai, me deixa inferior a tudo que eu já vi e ouvi, você ainda sim é meu motivo de espera, e ainda está em meus sonhos constantes e imaginações frustrantes - tão frustrantes, porque são só imaginações -.
Se eu pudesse, me depararia com tudo a tua volta, e pediria - Volta? Mas não posso, não devo, e temo... temo porque querer não é realmente poder, e eu queria teu abraço nas noites frias e nos dias quentes queria teu sorriso para tornar tudo mais evasivo, você seria a minha fuga e eu a tua, seríamos dois em um só ritmo, em um sorriso constante e requerido pelo mesmo motivo - só eu e você -.
Mas nunca vai existir isso, noites frias, dias quentes... Não existirão, não consigo nem relacionar os graus distintos de temperatura - exagero, eu sei -, mas é como se tudo aqui não fosse real sem você, é um tipo de pesadelo e transtorno que não me deixa; Infelizmente eu sei que ainda será assim por alguns dias, alguns meses, mas logo... logo eu volto a sorrir sem o teu sorriso, sem o teu abraço sufocado e sem as tuas mensagens constantes, vou sorrir apenas com o pouco, vou me contentar com o que restou, com as lembranças do que passou, vou me contentar comigo mesma e procurar ser feliz com o que aprendi, com o que há dentro de mim.
Lá se vai mais um desabafo meloso, totalmente 'solilóquio'.

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