domingo, 3 de maio de 2009

ao pai.


Ele me ligou ontem, e sabe quando você ouve aquela voz que te faz sorrir e ao mesmo tempo chorar sem saber controlar? Foi assim que eu me sentia. Ouvir a voz dele não era o suficiente, quando eu queria o abraço, o abrigo, a presença constante dele na minha vida. Eu nem sei se ele está bem só falando pelo telefone, eu nem sei como os olhos dele estão, não sei se dizem a verdade e nem se sentem aquela saudade, que aperta o peito e mesmo assim faz a dor ser suportável. Dores suportáveis são piores que as insuportáveis, porque conseguimos levar adiante, e mesmo assim a dor prossegue; As insuportáveis costumam secar com o tempo, por mais que sejam mais fortes, elas secam, as suportáveis continuam a nos perseguir durante todas as jornadas.
Sentindo a sua falta, eu nem posso contar pra ninguém, tenho que deixar o teu rosto aqui comigo, num coração de vidro, um pouco duro, que mostra ser resistente, mas ele realmente quebra, é frágil e nem deixa transparecer esse fato da fragilidade. Sentindo sua falta, não consigo respirar, eu quero só que o tempo voe para que eu respire e te abrace, forte. E mostre também que não ligo só para pedir as coisas, que não quero só bens materiais de você, quero sua atenção e seu amor, nem que seja por dez dias, por um mês de férias. Queria você me ligando todos os dias, mas infelizmente eu sei que não dá -ou prefiro pensar assim-, e por isso, por não ter su voz diariamente em minha vida, quando a ouço fico perdida, fico morrendo de saudades e com os olhos transbordando de lágrimas. Parece que nem sou forte o suficiente para suportar, e até parece que essa dor é insuportável, mas eu sei que não é, antes fosse... Me sinto então fraca demais, sozinha demais, sinto que só existe eu e a saudade nesse mundo grande, redondo e vazio (porque tudo que existe é mentiroso, perverso, hipócrita e nada sonhador).
Os sonhos foram embora para alguns, mas eu ainda sonho com a tua volta, uma mala, um abraço de chegada, um feliz para sempre.

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