
Mais uma amargura acompanhando a doce voz dela, com o sotaque que tanto adoro. Sempre as mesmas acusações, os desejos de morte, o tom de voz grosso e alto que eu tanto detesto, as comparações.
Não sei me expressar tão bem como gostaria, mas sei dividir. Eu a vejo todos os dias, a amo e a quero tão bem, mas sinto falta de uma parte de mim, aliás, vinte e três cromossomos meus vieram da parte dele, eu sou metade dele.. Eu sinto que preciso dele aqui, e tenho que suportar por causa dos dramas suportáveis. Deixo minha necessidade de lado, meus argumentos limitados, me calo agora de um forma que nunca consegui me calar, mesmo ouvindo as malditas acusações, como se eu fosse a culpada por tudo, como se eu tivesse que tomar mais dor para minha vida monótona, como se eu tivesse que odiá-lo por ter me deixado... Uma mágoa não basta?
Me calo, me suporto, seguro algumas lágrimas dentro do meu coração de vidro totalmente sólido, amargurado e tão frágil.
Preciso me libertar das acusações, das chantagens, da dor causada pelo amor.
Brigas... brigas por ciúmes, por escolhas, por uma palavra dita erroneamente, por querer passar DEZ dias com o pai. Brigas jogadas no meio de uma tarde calorosa, e ainda sim cinzenta. Brigas em vão, jogadas nos ladrilhos da calçada, dolorosas e mais dolorosas.

palavras soltas ao vento, ditas sem pensar...
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queria estar ai com você, acabar com a sua tristeza, te fazer sorrir bastante!